sexta-feira, 13 de maio de 2011

História das religiões 2

http://textolivre.com.br/artigos/10035-as-origens-da-fe-e-das-religiões

[B]AS ORIGENS DA FÉ E DAS RELIGIÕES [/B]

[B]O homem primitivo vivia num permanente estado de terror e medo que resultava em constantes celebrações de ritos mágicos, destinados a manter longe os aspectos pavorosos da natureza. Todos os acontecimentos climaticos inesperados despertava o medo e a desconfiança.[/B]

[B]Com o despertar da consciência o homem passou a encarar o espaço que o redeia como epifania do divino. Tem um impúlso profundamente enraizado de camuflar o mistério da transformação universal em matéria do divino; mas também existe nele algo que o impulsiona a mostrar e desfrutar do que considera mais sagrado. O símbolo de deus todo poderoso que tudo sabe e tudo vê sempre foi o céu noturno estrelado. No espaço se revelam os inumeros aspectos do divino venerados como divindades individuais.[/B]

[B]Ao longo da história da humanidade o homem adorou a deuses com a mesma intensidade em todos os lugares. Os deuses das épocas mais primitivas eram animais, e apenas muito mais adiante aparecem como forma humana, acompanhados por animais sagrados e outros atributos. Quando o homem conhece o nome deus, isto é, sua função e poder especiais, passa a fazer algo com ele e assim nasce a mitologia . Deste modo, toda a experiência de poder desemboca na aquisição de uma forma e todo o deus que se estabelece como tal representa a consecução do mesmo grau de consciência. Assim sendo, em todos os momentos cruciais e críticos da vida, como o nascimento, o amor, o conflito e a morte, os deuses continuam exercendo sua influência. As imagens reais de qualquer sistema de estruturação derivam de uma determinada localidade, contudo, suas funções são universais.[/B]

[B]A divisão do espaço sideral surge do padrão temporal traçado pelo movimento dos planetas. As mudanças de estação ficam refletidas no crescimento e declínio da vida vegetal e das idades do homem. [/B]

[B]A humanidade, pela sua própria natureza como um todo, possui instintos comuns de imaginação e ação, participando dos acontecimentos cósmicos com sonhos e ritos religiosos. A experiência do universo circundante se transforma em resposta do homem às exigências do poder manifesto de deus. Em outras palavras, a terra ao ser bombardeadas por asteróides, leva o homem a imaginar a fúria de um deus muito poderoso que reside no céu. Um simples aclipse solar, a falta regular de chuva e o fogo de combustão espontânea são motivos para buscar o perdão pelos atos que desagradaram ao supremo.[/B]

[B]A visão primitiva do tempo era cíclica, não linear: Uma sucessão infinita de nascimentos e mortes. As luas novas e cheias eram momentos sagrados. Todos os indicadores do tempo eram constituidos pelas fases da lua, pelo percurso do sol através do seu caminho de estrelas e pelo céu de estações, de avanço e de retrocesso. A idéia era que a lua regia todas as mudanças cíclicas: a vegetação, a mulher e o nascimento. Esta idéia inspirou a crença segundo a qual a morte nunca tinha caráter definitivo, mas que tudo era parte de um processo de mutação na qual a vida sempre renascia.[/B]

[B]Quando a mente humana indaga sobre a criação do mundo, a resposta apresenta-se em forma de casualidade. Considera-se Criador aquele que move e não aquele que se move; aquele que se encontra por trás dos acontecimentos do cosmos. No princípio era o caos, o vazio infinito e Deus criou o universo. Aí surge a pergunta: quem criou Deus?[/B]

[B]A existência toda está entrelaçada pelo ciclo da transformação. O nascimento, a vida, a morte e o renascer é um interminável fenômeno da existência que nossa mente ainda não atingiu a maturidade do entendimento.[/B]

[B]O espaço sagrado criado pelo homem é a zona intermédia entre o cosmos e o caos, - o vazio informe e desconhecido - lugar estabelecido para o encontro com o divino.[/B]

[B]Os mistérios antigos pretendiam estabelecer uma relação entre os homens e os deuses. A deusa egípsia Isis, filha de Keb, a terra, e Nut, o céu, possuia o poder mágico supremo. Sua união com Osiris ficava associada ao ritual dos mortos. Durante séculos seu culto estendeu-se por todas as províncias romanas, onde foram erguidos inúmeros santuários em sua honra.[/B]

[B]Aquilo que compõe a nossa vida é um mistério que de fato não podemos definir e nem compreender. Nosso intelecto não é ferramenta capaz de entender a misteriosa dimensão de nossa existência.[/B]

[B]Sempre que tentamos estabelecer valores transpessoais atingimos um nível de desenvolvimento cujo limite e qualidade se encontra nas conquistas das ciências de civilizações passadas que surgem e se renovam graças às experiências criativas de alguns indivíduos.[/B]

[B]O poder transcedental articula mito e ritual, da mesma maneira como articula forma das arvores e das plantas. O simbolismo como representação do poder divino é uma forma humana de relacionar-se com o deus imaginado. Quando se adota um símbolo de significado finito, um ídolo em lugar do misterioso abstrato infinito, há uma aproximação da realidade humana.[/B]

[B]Nas práticas de meditação, a aproximação do divino passa a ser um ato psicológico em circulo em torno de si próprio para descobrir todos os aspectos individuais. Assim sendo a psique tem um caráter tão real como o mundo exterior e a expecirência religiosa também atinge os níveis mais profundos da mente humana. Estas práticas retardam o fluxo do tempo e, com isto, desaparece a divisão entre o interior e o exterior, tornando o centro divino em onipresente. Tal é o poder da mente humana.[/B]

[B]Na arte do cristianismo primitivo identificava-se o Minotauro com Satanás e Tseu era o Cristo que desce aos infernos, vence satanás e sai vitorioso pelas portas do Reino dos Mortos, trazendo consigo os que se salvaram.[/B]

[B]As transformações espirituais e fisiológicas se identificam com as transações terrenas, isto é, expressam-se em relações espaciais.[/B]

[B]Quando o homem voltou seus olhos para o céu e tentou encontrar a ordem do mundo estelar, identificou o movimento dos seus deuses com os do sol, da lua e de outros planetas.[/B]

[B]Todo o crescimento e desenvolvimento pressupõe uma mudança que a nível psicológico equivale a morrer e regressar à existência anterior. A esperiência estática que dá vida ao mistério é a de ultrapassar a morte do corpo para transfigurar-se como o deus.[/B]

[B]Do ponto de vista mitológico, o começo do mundo com o aparecimento da luz, significa a descoberta subgetiva, a capacidade que o homem tem de pensar, perceber suas ações em relação ao sagrado, observando a evolução, através de uma consciência que circula o desconhecido a partir de vários pontos. As formas mágicas com as quais o homem se aproxima de seu deus escolhido têm origem em sistemas antropomórficos de domínio do mundo. Alguns símbolos carregam o sentimento universal de tantas pessoas exercendo tamanha compulsão que criam a sensação de que a vida depende de sua conservação e contínua representação. Aí surge a identificação do caçador com o animal totêmico, do agricultor com a terra, a semente e a cultura com as condições atmosféricas, isto é, com seus deuses. Os deuses das religiões se tornam, em última instância, principios, funções da consciência que identifica o homem moderno como simples abstração da qual depende a existência da vida.[/B]

[B]Nas mitologias sempre aparece a idéia da redução do universo e do cataclismo no final dos tempos.[/B]

[B]O encontro do homem com outro mundo é conseqüência da expansão da sua consciência. Considera-se esta expansão como advento do deus que toma posse do homem, utilizando o devoto como seu receptáculo, instrumento para fazer sua vontade. O devoto passa a utilizar em si mesmo o poder divino como o objeto de atuar no mundo em honra de seu deus, operando milagres, pronunciando oráculos, construindo santuários e dando testemunho de sua forma de existência.[/B]

[B]Mediante a observação, a faculdade imaginativa e o pensamento especulativo, o homem estabelece estrutura para se proteger do caos da existência, numa tentativa de localizar o sagrado que o salvará.[/B]

[B]No princípio o homem adorou os aspectos da natureza que lhe pareciam mais poderosos e com os quais mantinha maior relacionamento: os animais, as montanhas, as cavernas, os bosques, as arvores, os rios, etc. Isto durou enquanto se sentiu ameaçado por seu poder arrasador e deixou de fazê-lo quando a sua tecnologia pareceu tê-la dominada. Mais adiante, todos estes aspectos de poder, personificados pelas divindades multiformes, se reuniram num só deus que se transformou em homem projetado no espaço. Aos poucos o homem foi se separando das projeções com as quais tinha povoado o mundo vazio dos céus e infernos com suas hierarquias de deuses e demônios. Isto o levou a experimentar a plenitude criativa de sua própria psiquê. Foi então que surgiram guias - espécie de manuais - para exercer as múltiplas praticas psicotécnicas do mundo interior com as diversas formas de meditações que surgiram pelo mundo todo.[/B]

[B]A mente humana se encontra no estado crepuscular, além do pensamento e da vontade de cada um, onde há algo que a move, da mesma forma, como em nossos melhores momentos em que sentimos a valorização da vida. A situação terrena mostra o homem como herói de seu próprio drama vital, mas também como um simples ator na obra mais ampla, figura evanecente, na eterna ronda da vida atravéz da morte. O homem percebe seu próprio ser e tem conhecimento do mesmo unicamente enquanto á capaz de visualizá-lo na imagem de seus deuses, que constituem a medida de sua penetração no mistério do ser. Consegue-se a emancipação do homem em relação a seu deus mediante a imitação deste. Desta forma o próprio homem se transforma em criador ao fazer o que fazem os deuses.[/B]

[B]Movido pela própria consciência de si mesmo, o homem despertou do seu sonho num mundo que lhe era incompreensível e cujos mistérios lhe inspiravam um temor e um assombro que o levaram a sondar suas profundezas. Em todo o lugar e época o homem se depara com um poder superior a ele. Na natureza, no céu, ao nascer, durante seu crescimento, nas doenças e na morte. Em épocas de crise como a que estamos vivento em relação à natureza que põem em causa a vida do homem em relação ao mundo, proporciona-lhe uma experiência inigualável, pondo-se ele em confronto com suas limitações. São estas situações inesperadas de perigo que confrontam o homem com o caos e com sua própria impotência, onde a vida depende de sua capacidade de sobreviver ante as forças imbatíveis que a natureza volta a lhe mostrar: Secas, tsunamis, furacões, terremotos, etc. Plantas, animais, estrelas, riachos e homens estão todos unidos numa corrente única, com a perpétua possibilidade de se transformarem em outros. Neste estado em que tudo participa de tudo, a combinação de forma se nutre no tecido de nossa imaginação buscando a harmonia com os poderes cósmicos.[/B]

[B]Hoje sabemos que o poder da natureza está em constante renovação e longe do nosso domínio. Tenta-se exercer influência sobre o universo, mas quanto mais sabemos mais descobrimos nossa insignificância.[/B]

[B]Nos rituais religiosos liberam-se as tensões emocionais e renovam-se as esperanças em relação às necessidades humanas da vida individual, para garantir a felicidade eterna que se alcançará com a purificação final. [/B]

[B]Apesar de todo o conhecimento de que dispõe acerca de si mesmo, o homem continúa inserindo-se no mistério do seu próprio imaginário. Condicionado pela relação Eu - Tu, encontra-se entre o mundo interior da psiquê e o mundo exterior dos objetos sensoriais, equilibrando a percepção e a experiência internas com a adaptação às circunstâncias externas.[/B]

[B]A experiência do temor reverencial assinala a relação entre o poder do deus e o homem. Em todos os lugares aparecem o temor, o amor e a servidão ao deus como termos relacionados entre si.[/B]

[B]O mistério da morte constitui o maior desafio que a mente humana enfrenta. A morte é a experiência decisiva que revela a divisão entre o corpo e o espírito. No encontro com a morte está a raiz de todos os cultos religiosos. A celebração de ritos fúnebres religiosos baseia-se na crença de que a morte é apenas outro aspeto de vida e de que aos vivos cabe o dever de ajudar os defuntos no momento da partida para a ressurreição. No Egito antigo o rito funerário tinha proporções gigantescas, com grandes cerimônias,[/B]

[B]As tradições sagradas do mundo constituem uma abundante coletânea de símbolos religiosos criados pelo homem como metáforas do mistério. Mostram as limitações humanas e, todavia, por entre elas brilham as leis universais às quais todos são submetidos. Oferecem uma idéia da fonte, do encontro entre homem e o milagroso que para o crente é a única esperânça que confere validade ao drama da criação.[/B]

[B]A psiquê humana é a fonte de todos os fenômenos religiosos e culturais e ainda conserva o conhecimento adquirido antes do aparecimento da consciência de si mesmo. Com o surgimento da consciência, o mundo tornou-se ambivalente, dividido em opostos que resultou num profundo abismo entre a reflexão e a espontaneidade. A consciência do ego provocou um sentimento de solidão e sua gênese foi experimentada como culpa e castigo inevitáveis.[/B]

[B]Na tentativa de entender o divino e o demoníaco, a mentalidade moderna recorreu à psique, onde tudo deve voltar para a alma de onde provem o ser interior do homem ainda desconhecido. O mundo natural que nos primórdios era seu deus transformou-se numa coisa sua e, dessa forma, sente-se um estranho isolado no cosmos, numa busca deseperada para encontrar suas raízes interiores.[/B]

[B]Em nosso tempo o homem sofre a ilusão de que o universo inteiro se mantem unido pelo pensamento humano. Acredita que se não se apegar a esta corrente tudo se desvanecerá no caos. Entretanto quanto mais intimamente experimentamos a realidade da vida, menos a entendemos. [/B]

[B]A ciência explica a explosão do átomo e o surgimento da vida através da matéria, mas é a mente humana que tenta entender os mistérios do espírito que dá origem a fé, a religiões e superstições.[/B]

[B]No "Tratado Sobre Tolerância" Voltaire assim manifesta sua opinião: " É tão grande a fraquesa do gênero humano, tamanha a sua perversidade, que, sem dúvida, lhe vale mais estar subjugado por todas as supertições possíveis - desde que não tenham caráter assassino - do que viver sem religião. O homem sempre teve necessidade de um freio e, por ridículo que fosse sacrificar aos faunos, aos silvanos ou às náiades, era mais razoável e mais útil adorar essas imagens fantásticas da Divindade do que entregar-se ao ateísmo. Um ateu que fosse razoador, violento e poderoso, seria um flagelo tão funesto como um supersticioso sanguinário. Quando os homens não dispõem de sãs noções acerca da Divindade, as idéias falsas suprem-lhes a falta, tal como nos tempos de desgraça se fazem negócios com moeda falsa quando falta a moeda boa. O pagão, se cometia um crime, temia ser punido pelos seus falsos deuses; o malabar teme ser punido pelo seu pagode. Em todo o lado onde há uma sociedade estabelecida, é necessaria uma religião. As leis exercem vigilância sobre os crimes conhecidos, a religião exerce-a sobre os crimes secretos. Mas, a partir do momento em que os homens chegam a abraçar uma religião pura e santa, a superstição torna-se não apenas inútil, mas muito perigosa. Não se deve tentar alimentar com bolotas aqueles que Deus se dignou alimentar com pão. A superstição está para a religião como a astrologia está para a astronomia, a filha louca de uma sãbia. Essas duas filhas subjugaram durante muito tempo a Terra inteira".[/B]

[B]Nicéas Romeo Zanchett - artista plástico[/B]

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