terça-feira, 25 de agosto de 2009

História 7ª série.

introdução.
O Barroco na arte marcou um momento de crise espiritual da sociedade européia. O homem do século XVII era um homem dividido entre duas mentalidades, duas formas diferentes de ver o mundo. Por isso, o estilo Barroco é um dos mais complexos que podem ser estudados na literatura Brasileira. A historiografia e a crítica têm oscilado entre posições que vão da seca de recusa do Barroco, por alegada pobreza temática e exagerada manipulação da palavra, à quente apologia que fazem à escola dos anatomistas ao estilo, maravilhados com a engenhosidade e agudeza das produções da época. A posição mais conservadora, mais tradicionalista, tende a ver no Barroco uma "pérola irregular" *¹, um classicismo imperfeito e obtuso. A posição mais recente, que se abre com os estudos de Heinrich Wölfflin, tende a ver no Barroco uma constante universal na arte, expressiva dos períodos marcados por graves conflitos espirituais, e cuja essência é a irregularidade, a exasperação, o retorcimento, o exagero, caracteristicas opostas à sobriedade e à disciplina clássicas.
Convivendo com o sensualismo e os prazeres materiais trazidos pelo Renascimento, os valores espirituais - tão fortes na Idade Média e desprezados pelo Renascimento - voltaram a exercer forte influência sobre a mentalidade da época. Uma nova onda de religiosidade foi trazida pela Contra-Reforma e pela fundação da Compania de Jesus. O que decorreu daí foram naturalmente sentimentos contraditórios, já que o homem estava dividido entre valores opostos. E a arte barroca, que exprime essa contradição, igualmente oscila entre o clássico (e pagão) e o medieval (cristão), apresentando-se como uma arte indisciplinada.
Comparado aos outros dois movimentos que integram a Era Clássica, o Classicismo e o Arcadismo, o Barroco representa um desvio da orientação clássica, já que procurava, ao mesmo tempo, fundir a experiência renascentista ao reavivamento da fé cristã medieval. Punha em risco, assim, certos princípios muito prezados pela tradição clássica, como o predomínio da razão e o equilibrio.
Resumindo, o Barroco tenta conciliar duas concepções de mundo opostas: a medieval e a renascentista. Assim, valores como o humanismo, o gosto pelas coisas terrenas, as satisfações mundanas e carnais, trazidos pelo Renascimento, que era caracterizado pelo racionalismo, equilíbrio, clareza e linearidade dos contornos, fundem-se a valores espirituais trazidos pela Contra-Reforma, com idéias medievais, teocêntricas e subjetiva. Nasce então uma forma de viver conflituosa, expressa na arte barroca.
*¹ - A origem da palavra barroco tem suscitado muitas discussões. Dentre as várias posições, a mais aceita é a de que a palavra se teria originado [...] do vocábulo espanhol barrueco, vindo do português arcaico e usado pelos joalheiros desde o século XVI, para designar um tipo de pérola irregular e de formação defeituosa, aliás, até hoje conhecida por essa mesma denominação. Assim, como termo técnico, estabeleceria, desde seu início, uma comparação fundamental para a arte: em oposição à disciplina das obras do Renascimento, caracterizaria as produções de uma época na qual os trabalhos artísticos mais diversos se apresentariam de maneira livre e até mesmo sob formas anárquicas, de grande imperfeição e mal gosto. (Suzy Mello, Barroco. São Paulo, Brasiliense, 1983. p.7-8)
Contexto histórico
Num contexto de autoritarismo político (com o absolutismo, sistema político baseado na centralização absoluta do poder nas mãos do rei, que se considerava o Deus na terra), de expansão comercial (com a Revolução Comercial, cuja política econômica, o Mercantilismo, se baseava no metalismo, na balança comercial favorável e no acúmulo de capitais), de luta de classes (onde a burguesia, por deter forte poder econômico, pressionava politicamente a nobreza e o rei, a fim de participar das decisões políticas do Estado Absolutista. Isso era quase impossível na época, já que a sociedade estava organizada em três camadas sociais impermeáveis: o clero, a nobreza e o terceiro estado), e crises religiosas (reforma e contra-reforma) que nasceu a arte barroca.
Um dos traços mais importantes que caracterizam o Barroco é o gosto pela aproximação de realidades opostas, pelo conflito e pelas contradições violentas. Tal princípio pode ser relacionado com a realidade do homem barroco, contraditória e em transformação.
Politicamente, o homem da época sentia-se oprimido; economicamente, contudo, sentia-se livre para enriquecer. Apesar da possibilidade de ascensão econômica, a estrutura social do Antigo Regime não lhe permitia a ascensão social.
No plano espiritual, igualmente se verificaram contradições: ao lado das conquistas e dos valores do Renascimento e do mercantilismo - que possibilitou a aquisição de bens e prazeres materiais - a Contra-Reforma procurava restaurar a fé cristã medieval e estimular a vida e os valores espirituais.
Por esse conjunto de razões é que na linguagem barroca, tanto na forma quanto no conteúdo, se verifica uma rejeição constante da visão ordenada das coisas. Os temas são aqueles que refletem os estados de tensão da alma humana, tais como vida e morte, matéria e espírito, amor platônico e amor carnal, pecado e perdão. A construção da linguagem barroca acentua e amplia o sentido trágico desses temas, ao fazer o uso de uma linguagem de difícil acesso, rebuscada, cheia de inversões e de figuras de linguagem. Outros temas que são facilmente encontrados são o sobrenatural, castigos, misticismo e arrependimento.
A época da Contra-Reforma, e do Barroco é principalmente marcada por uma profunda dualidade. Por um lado, é o desdobramento do humanismo clássico e do Renascimento, com seus apelos ao racionalismo, ao prazer, ao "carpe diem" (em latim, "aproveite o dia"). Por outro lado, o homem é pressionado pela Igreja Católica e pelo protestantismo mais vigoroso a um regresso ao teocentrismo medieval, à postura estóica, à renúncia aos prazeres, à mortificação da carne e à observância plena do "amar a Deus sobre todas as coisas", princípio capitular do teocentrismo medieval. Em síntese, o homem do século XVII foi compelido a concilicar o TEOCENTRISMO MEDIEVAL e o ANTROPOCENTRISMO CLÁSSICO e valores opostos como fé x razão, alma x corpo, Deus x homem, céu x terra, virtude x prazer. Valemo-nos da apreciação do Prof. Afrânio Coutinho: "O homem do Barroco é um saudoso da religiosidade medieval e, ao mesmo tempo, um seduzido pelas solicitações terrenas e valores mundanos, amor, dinheiro, luxo, posição, que a Renascença e o Humanismo puseram em relevo. Desse dualismo nasceu a arte barroca". (Aspectos da literatura Barroca, RJ, 1950 - pág. 54)
Vê-se, pois, que a época barroca, o século XVII, foi das mais conturbadas que o homem ocidental viveu. E mais! Como já foi dito, a escola literária Barroco coincide com o apogeu do Absolutismo Monárquico, Mercantilismo, Metalismo, do Capitalismo e sua extensão a áreas coloniais, da Burguesia e da Revolução Comercial. É notório que, se a Literatura é a expressão do homem e de seu tempo (ver O que é Literatura), o estilo barroco haveria de refletir as angústias, as incertezas e o desespero do homem que viveu essa época difícil.
Fruto da síntese entre duas mentalidades, a medieval e a renascentista, o homem do século XVII era um ser contraditório, tal qual a arte pela qual se expressou.
Limites cronológicos:
Fica difícil estabelecer limites para uma escola literária, já que as idéias vão mudando com o tempo e as gerações, gradual e lentamente. Mas, didaticamente, considera-se que o Barroco surgiu no Brasil com a obra Prosopopéia de 1601, poema épico de autoria do portugues, radicado no Brasil, Bento Teixeira Pinto. É a primeira obra, dita literária, escrita entre nós. O limite - digamos - final para essa escola foi o ano de 1768, com a publicação de Obras Poéticas, de Cláudio Manoel da Costa - árcade. No entanto, como o Barroco no Brasil só foi mesmo reconhecido e praticado em seu final (entre 1720 e 1750), quando foram fundadas várias academias literárias, desenvolveu-se uma espécie de Barroco tardio nas artes plásticas, o que resultou na construção de igrejas de estilo barroco durante todo o século XVIII. (As obras de Aleijadinho são o grande exemplo).
Caracteristicas da linguagem barroca
Algumas caracteristicas da linguagem barroca merecem especial atenção pela sua peculiaridade e pelo uso que foi sendo feito de algumas delas em escolas posteriores.
Requinte formal: O nível linguístico dos textos barrocos é sofisticado. Os textos podem apresentar construções sintáticas elaboradas, vocabulários de nível elevado. O Barroco Literário foi uma arte da aristocracia e esse refinamento era desejado por seu público consumidor, porque lhe conferia status.
Conflito espiritual: O homem barroco sente-se dilacerado e angustiado diante da alteração dos valores, dividindo-se entre o mundo espiritual e o mundo material. As figuras que melhor expressam esse estado de alma são a antítese (emprego de palavras que se opoem quanto ao sentido: bem x mal; branco x preto; claro x escuro) e o paradoxo (a antitese levada ao extremo, onde as idéias se opoem em termos de sentido: 'sol que se trajava em criatura"; "anjo que em mulher se mentia"; "rio de neve em fogo convertido").
"Nasce o sol, e não dura mais que um dia,Depois da Luz se segue a noite escura,Em tristes sombras morre a formosura,Em contínuas tristezas a alegria.""Alegre do dia entristecido,O silêncio da noite perturbado,O resplendor do sol todo eclipsado,E o luzente da lua desmentido!
O espirito Barroco é cabalmente expresso no célebre dilema do 3° ato de Hamlet, de Shakespeare: "To be or not to be, that is the question". ("Ser ou não ser, eis a questão..."
Temas contraditórios: Há o gosto pela confrontação violenta de temas opostos, como amor / dor, vida / morte, juventude / velhice, pecado / perdão, dentre outros.
Efemeridade do tempo e carpe diem: O homem barroco tem consciência de que a vida terrena é efêmera, passageira, e por isso, é preciso pensar na salvação espiritual. Mas, já que a vida é passageira, sente, ao mesmo tempo, desejo de gozá-la antes que acabe, o que resulta num sentimento contraditório, já que gozar a vida implica pecar, e se há pecado, não há salvação.
"...Gozai, gozai da flor da formosura,Antes que o frio da madura idadeTronco deixe despido, o que é verdura...""Lembra-te Deus, que és pós para humilhar-te,E como o teu baixel sempre fraqueja,Nos mares da vaidade, onde peleja,Te põe a vista a terra, onde salvar-te..."
Entendendo que a mocidade é o estágio mais elevado da vida, a idade madura vem a significar decadência. Para comunicar isso, os textos se servem de imagens plásticas, que são as que envolvem sensorialidade:
"...goza, goza da flor da mocidadeque o tempo trata a toda a ligeireza,e imprime em toda flor sua pisada.
Ó não aguardes, que a madura idade,te converta essa flor, essa beleza,em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada. "
Mocidade - Maturidade - MorteFlor - terra - cinza - pó - sombra - nada.
Desta forma, o tempo atua sobre o ser humano conduzindo-o à decadência. E o poeta refere esse tragico fato também, de forma plástica, isto é, utilizando-se de uma enumeração gradativa decrescente. A enumeração gradativa é o uso de uma sequência de palavras cujo significado induz o leitor a imaginar um ser cada vez mais limitado, mais pobre, mais insignificante:
Flor, terra, cinza, pó, sombra, nada...
Essa imagem que vai de flor a nada põe ante os olhos do leitor, e sua imaginação, os conceitos: Mocidade - Maturidade - Morte. Isto é, decadência e transitoriedade.
Paganismo: buscando um traço do Classicismo e da Cultura Greco-Romana, alguns textos barrocos os deuses da mitologia pagã aparecem para representar um sentimento ou um tema abstrato qualquer.
"Enquanto com gentil descortesia,o ar, que fresco Adônis te namora,te espalha a rica trança brilhadora,quando vem passear-te pela fria:"
Gregório de Mattos
Adonis (ou Adonai) é um ente mitológico que representa a grande beleza e a vaidade.
Cultismo ou Gongorismo - O jogo de palavras: Cultismos ou Gongorismo são as denominações que recebeu, na Península Ibérica, e em colônias ultramarinas, no aspecto do Barroco voltado para o rebuscamento da forma, para a ornamentação exagerada do estilo, por meio do vocabulário precioso, erudito, eivado de latinismos, para a inversão da ordem direta da frase, imitando a sintaxe do latim clássico. O termo Cultismo deriva da obsessão barroca pela linguagem culta, erudita, e o Gongorismo alude ao autor espanhol Luís de Gongora, expoente maior desse procedimento literário, criador de uma verdadeira escola que tem como seguidores, entre nós, Manuel Botelho de Oliveira e, em alguns momentos, Gregório de Mattos Guerra.
O aspecto exterior imediatamente visível no Cultismo ou Gongorismo é o abuso no emprego de figuras de linguagem, especialmente as semânticas (Metáforas, Antíteses, Hiperboles), as sintáticas (de inversão oracional, de repetição ou supressão de termos, como Hipérbatos, Anáforas, Anadiploses, Quiasmos e sonoras, Paronomásias, etc.).
- Percepção sensorial da realidade: O cultismo explora, também atravez do jogo de palavras, efeitos sensoriais, tais como cor, forma, volume, sonoridade, imagens violentas e fantasiosas - enfim, recursos que sugerem a superação dos limites da realidade.
A uns mártires pendoravam pelos cabelos, ou por um pé, ou por ambos, ou pelos dedos, polegares, e assim, no ar, despidos, batiam e martelavam com tal força e continuação, os cruéis e robustos algozes (carrascos), que ao princípio açoitavam os corpos, depois desfiavam as mesmas chagas (feridas), ou uma chaga até que não tinha já que açoitar nem ferir. A outros estirados e desconjuntados no ecúleo (instrumento de tortura), ou estendidos na catasta, (cadafasto, em forma de leito, feito em grades, em que se troturavam os mártires) aravam os membros com pentes e garfos de ferro, a que propriamente chamavam escorpiões, ou metidos debaixo de grandes petras de moinho, lhes espremiam como em cardar (pentear) o sangue, e lhe moíam e imprensavam os ossos, até ficarem com uma pasta confusa, sem figura, nem semelhança do que dantes eram. A outros cobriam todos de pez (breu, piche), resina e enxofre, e ateando0lhes o fogo, os faziam arder em pé como tochas ou luminárias, nas festas dos ídolos, esforçando-os para este suplício como lhes dar a beber chumbo derretido.
Neste fragmento, podemos perceber claramente a tentativa de Pe. Vieira de fazer o leitor sentir o que ele descreve, como uma forma de persuadir seus ouvintes a não se envolverem com idéias de reforma religiosa (o Protestantismo). Para isso, toma como exemplo a persistência religiosa dos mártires da Igreja Católica e descreve com extrema figuração e utilização de símbolos fortes como eram torturados esses mártires.
- Metáfora: (Do grego meta: 'mudança', 'alteração' + phora 'transporte'). É a figura de palavra em que se emprega um termo por outro, mantendo-se entre eles uma relação de semelhança; é uma espécie de "comparação abreviada", como em "Seus olhos são esmeraldas", isto é, "seus olhos são verdes".
É a vaidade, Fábio, nesta vida (01)Rosa, que de manhã lisonjeada, (02)Púrpuras mil, com ambição dourada, (03)Airosa rompe, arrasta presumida. (04)É planta, que de abril favorecida, (05)Por mares de soberba desatada, (06)Florida galeota empavesada, (07)Sulca ufana, navega destemida. (08)É nau enfim, que em breve ligeireza, (09)Com presunção de Fênix generosa, (10)Galhardias apresta, alentos preza: (11)Mas ser planta, ser rosa, ser nau vistosa (12)De que importa, se aguarda sem defesa (13)Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa? (14)
Gregório de Matos Guerra
O próprio título do soneto, Dos Desenganos da Vida Humana, Metaforicamente, alude ao emprego intensivo da metáfora. O poema se entretece a partir de três metáforas da vaidade: rosa, planta, nau (navio), que têm duração efêmera, ainda que se suponham eternas. Primeiramente são mostradas as qualidades de cada um desses elementos metafóricos. Como a rosa, a vaidade "rompe airosa" (elegante); como a planta favorecida pelo mês de abril (quando é primavera na Europa), ela segue rapidamente, feito uma "galeota empavesada" (embarcação enfeitada); como uma nau ligeira, preza alentos e galhardias (elogios e elegâncias). Observe que as metáforas são colocadas nos versos 2, 5 e 9 e, após retomadas nos versos 12 a 14, quando, no último terceto, o poeta as dispõe em ordem decrescente, inversa: a penha (pedra) destrói a nau, assim como o ferro (instrumento de corte qualquer) destrói a planta e a tarde (o tempo que passa) destrói a rosa. A conclusão a que se chega, portanto, é que a vaidade é frágil e efêmera.
A metaforização intensiva do texto Barroco estabelece, quase sempre, uma identificação sensorial resultando no aspecto cromático e criando associações surpreendentes. Assim, o poeta barroco diz: "os marfins da boca" - ao invés de "dentes", "o zéfiro manual" (eu também não sabia o que era isso.. - vento suave:)) - ao invés de "leque", "a língua dos olhos" - ao invés de "lágrima", "rubi" - ao invés de sangue.
- Antítese (do grego anti, 'contra' + thesis, 'afirmação'): Figura de pensamento que consiste no emprego de palavras numa oração ou período que se opõem quanto ao sentido. Exemplificando...
"Infalível será em ser homicidaO bem, que sem ser mal motiva o danoO mal, que sem ser bem apressa a morte."
- Hipérbato (do grego hipérbaton, 'inversão, 'transposição'): É a figura sintática / de construção que consiste numa inversão violenta da ordem direta da frase. Citam-se, como exemplo notório, os versos iniciais do Hino Nacional:
"Ouviram do Ipiranga as margens plácidas / De um povo heróico o brado retumbante" ("As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico").
O hipérbato resulta em certa dificuldade de leitura, como se verifica nos 4 primeiros versos do poema de Gregório de Matos, acima. Reescrevendo-os, em ordem direta, teríamos:
"Fábio, a vaidade nesta vida é rosa que, lisonjeada de manhã, arrasta presumida mil púrpuras e rompe airosa com ambição doirada".
- Hipérbole (do grego hyperbolè, 'lançar sobre'): Também conhecida como intensificação, é a figura de pensamento que consiste na ênfase resultante do exagero deliberado, quer no sentido negativo, quer no positivo. É uma forma de exagerar a verdade, mas com respeito à beleza, seja por amplificação, seja por atenuação. É o que ocorre em expressões cotidianas como "morreu de rir", "morto de fome", "já te disse quatrocentas bilhões de vezes....", ou em construções literárias como:
"Rios te correrão dos olhos se chorares.."
- Perífrase: Também denominada circunlóquio, é a figura de pensamento que consiste na substituição de uma palavra por uma série de outras, de modo que estas se refiram àquela, indiretamente. Utilizada, em geral, para evitar a monotonia das expressões gastas ou para criar novas relações metafóricas. É o que ocorre em: "Graças à onipotência de quem devemos a criação do Universo", que significaria simplesmente "Graças a Deus".
- Anáfora (do grego ana, 'repetição' + phorá, 'que conduz', 'que leva'): Figura de construção que consiste na repetição intensional de uma ou mais palavras no início de vários versos.
"A vós, pregados pés, por nõa deixar-me.A vós, sangue vertido, para ungir-me,A vós, cabeça baixa, p'ra chamar-me."
Gregório de Matos Guerra
A anáfora também pode ocorrer na prosa, quando iniciamos as orações ou peródoso por uma mesma palavra ou locução. Observando...
"Quando fazem os ministros, o que fazem? Quando respondem? Quando deferem? Quando despacham? Quando ouvem?"
Pe. Antônio Vieira
- Anadiplose: Figura de construção que consiste na reiteração do(s) termo(s) final(ais) de um verso ou oração, no início do verso subsequente:
"Ofendi-vos, meu Deus, é bem verdade,É verdade, senhor, que te hei delinquido,Delinquido vos tenho, e ofendidoOfendido vos tem minha maldade".
Gregório de Matos Guerra
- Paronomásia: Figura de construção que consiste no emprego de vocábulos semelhantes na grafia ou na pronúncia, mas opostos ou aparentados nos sentidos. Exemplificando...
"Ah, pregadores! Os de cá achar-vos-eis com mais paço; os de lá com mais passos."
Sermão da Sexagésima - Pe. Antônio Vieira
- Prosopopéia: Figura de pensamento que consiste em atribuir atitudes animadas ou humanas a seres inanimados ou irracionais. Exemplificando...
"Agora que se cala o surdo ventoE o rio enternecido com meu prantoDetém seu vagaroso movimento"
Gregório de Matos Guerra
- Elipse (do grego élleipsis, 'omissão'): Figura de construção que consiste na omissão de um termo da oração facilmente identificável, quer por elementos da própria oração, quer pelo contexto. É muito usual em diálogos da vida cotidiana. Por exemplo, na bilheteria de um teatro, apenas perguntamos " - Quanto custa?". O contexto, a situação em que foi feita a pergunta leva-nos ao termo omitido - "a entrada".
- Zeugma (do grego zeûgma, 'junção'): É um caso específico de elipse. Trata-se da omissão de um termo já mencionado anteriormente.
A vós, correndo vou, braços abertos (01)(...)A vós, pregados pés, por nõa deixar-me. (09)A vós, sangue vertido, para ungir-me, (10)A vós, cabeça baixa, p'ra chamar-me." (11)
A vós, lado patente, quero unir-me, (12)A vós, cravos preciosos, quero atar-me, (13)Para ficar unido, atado e firme. (14)
Gregório de Mattos Guerra
Os versos 5, 9, 10, 11, 12, 13 constroem-se com a omissão do verbo, já referido no 1° verso - "correndo vou". Em todos eles aparece zeugma. Assim, nos versos mencionados, devemos ler: "A vós, (correndo vou), pregados pés (...)" / "A vós, (correndo vou) sangue vertido (...)"
- Gradação: Figura de pensamento que consiste em dispor as idéias em ordem crescente ou decrescente. Quando o encadeamento se faz em ordem crescente, temos o clímax; quando em ordem decrescente, o anticlímax.
"Oh, não aguardes, que a madura idadeTe converta essa flor, essa beleza,Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada."
Gregório de Mattos Guerra
As figuras apresentadas são apenas algumas das que os autores cultistas empregaram. Caberia ressaltar, ainda, a preocupação com a originalidade e a renovação da Língua, pela incorporação de neologismos; e mais, a recorrência a citações eruditas, ao emprego de latinismos e à persistência de alegorias fundadas na mitologia clássica.
Conceptismo - A dialética barroca: Define-se o Conceptismo do Barroco voltado para o jogo das idéias, para a argumentação sutil (sutileza explicada pela necessidade de camuflar as ainda críticas contra a Igreja, já que a Santa Inquisição estava no seu auge, investigando, levando a julgamento e condenando aqueles que não contribuiam para a preservação, defesa e propagação da Contra-Reforma e consequentemente das doutrinas católicas), para a dialética cerrada, que opera por meio de associações inesperadas, ainda fundadas na metáfora e, especialmente nos procedimentos da lógica formal, como o silogismo, o sofisma e o paradoxo. Enquanto os Cultistas ou Gongóricos consideravam que a percepção cognoscitiva (= que se pode conhecer) das coisas deveria processar-se pela captação de seus aspectos sensoriais e plásticos (contorno, forma, cor, volume), produzindo como resultado um verdadeiro frenesi cromático, visando aprender o como, os Conceptistas pesquisavam a essência íntima dos objetos, buscando saber o que são, visando à apreensão da face oculta, apenas acessível ao pensamento, ou seja, aos conceitos; assim, a inteligência, a lógica e o raciocínio ocupam o lugar dos sentidos, impondo a concisão e a ordem, onde reinavam a exuberância e o exagero.
Assim, é usual a presença de elementos da lógica formal, dentre outras figuras como:
- Silogismo: Dedução formal que, postas duas proposições, uma, verdade universal, outra, particularização dessa verdade, chamadas premissas, delas se tira uma terceira, logicamente implicada, chamada conclusão. Assim, temos como exemplo:
Premissa maior (verdade universal): Todo homem é mortal.Premissa menor (particularizando...): Eu sou homem. Conclusão lógica: (Logo,) Eu sou mortal.
Observemos a construção do terceto final de um soneto sacro de Gregório de Matos que, referindo-se ao amor de Cristo, diz:
"Mui grande é o vosso amor e o meu delito; (09)Porém pode ter fim todo o pecar, (10)E não o vosso amor, que é infinito. (11)
Essa razão me obriga a confiar (12)Que, por mais que pequei, nesse conflito, (13)Espero em vosso amor de me salvar." (14)
Gregório de Matos Guerra
Esses versos encobrem a formulação silogística, como segue:
Premissa maior (verdade universal): O amor de Cristo é infinito. (verso 11).Premissa menor (particularizando...): Meu pecado é finito, apesar de grande (9 e 10). Conclusão lógica: (Logo,) Por maior que seja o meu pecado, eu espero salvar-me (13 e 14).
Observemos ainda o silogismo que é feito no texto abaixo. O primeiro quarteto aparece como uma verdade universal - premissa maior - , o segundo como a particularização dessa verdade - premissa menor. Finalizando, vêm os dois tercetos concluindo o pensamento:
O todo sem a parte não é todo,A parte sem o todo não é parte, Premissa maiorMas se a parte faz o todo, sendo parte, - Verdade universalNão se diga, que é parte, sendo todo.Em todo Sacramento está Deus todo,E todo assiste inteiro em qualquer parte, Premissa menorE feito em partes todos em toda parte, - ParticularizaçãoEm qualquer parte sempre fica o todo.
O braço de Jesus não seja parte,Pois que feito Jesus em partes todo, ArgumentaçãoAssiste cada parte em sua parte.
Não se sabendo parte desse todo, Um braço, que lhe acharam, sendo parte, ConclusãoNos disse as partes toda deste todo.
Gregório de Matos Guerra
- Sofisma: É o argumento que parte de premissas verdadeiras e que chega a uma conclusão inadmissível, que não pode enganar ninguém, mas que se apresenta como resultante de regras formais do raciocínio, não podendo ser refutado. É um raciocínio falso, elaborado com a função de enganar. Vejamos um sofisma bem simples e claro:
Premissa maior (verdade universal): Filho de peixe peixinho é. Deus é imortalPremissa menor (particularizando...): Eu fou filho de Deus.Conclusão ilógica: Logo, eu sou imortal.
Evidentemente que esse raciocínio não pode ser encarado dessa forma. No entanto, não existem argumentos contra ele...
Gregório de Matos é um mestre também no Sofisma, montando argumentos que são lógicos à primeira vista, com o objetivo citado: enganar. E na maioria das vezes, ele tenta enganar a Deus, por ser um pecador, não poder deixar de pecar e mesmo assism almejar a salvação. (Base de todos os conflitos barrocos!). Assim, analisando o poema anterior, percebemos um sofisma nesse sentido...
Premissa maior (verdade universal): O amor de Cristo é infinitoPremissa menor (particularizando...): O meu pecar é finitoConclusão ilógica: Logo, o amor de Cristo é maior que o meu delito (e eu seirei salvo).
Ora, simplesmente o fato do amor de Cristo ser maior que delito não redime o pecador de seus atos. Portanto, a conclusão a que chegamos no poema é falsa.
- Metonímia: Figura que, assim como a metáfora, consiste no uso de uma palavra por outra, em virtude de certa familiaridade que elas têm entre si. Essa familiaridade pode ocorrer empregando-se o concreto pelo abstrato ("papo-cabeça" - "intelectual"), a causa pela consequência (acabarão com o "verde" do pais? - "as matas"), divindade pela sua 'função' ("Cupido" ataca novamente - "o amor").
O soneto abaixo é construido a partir de um sistema de metonímias que vão relacionando as partes de Cristo ("braços", "olhos", "sangue", "lágrimas","cabeça", "cravos"...), substituindo todo o Cristo crucificado:
A vós, correndo vou, braços abertosNessa cruz sacrossanta descobertos,Que, para receber-me estais abertos,E, por não castigar-me estais cravados.
A vós, divinos olhos, eclipsados,De tanto sangue e lágrimas abertos,Pois, para perdoar-me, estais despertos,E, por não condenar-me estais fechados.
"A vós, pregados pés, por nõa deixar-me.A vós, sangue vertido, para ungir-me,A vós, cabeça baixa, p'ra chamar-me."
A vós, lado patente, quero unir-me,A vós, cravos preciosos, quero atar-me,Para ficar unido, atado e firme.
Gregório de Mattos Guerra
Alguns autores entendem que, quando a relação entre os elementos é qualitativa, temos outro tipo de figura, chamada sinédoque. Essa relação geralmente se dá no Barroco, o todo pela parte:
O todo sem a parte não é todo,A parte sem o todo não é parte, Mas se a parte faz o todo, sendo parte,Não se diga, que é parte, sendo todo.
- Paradoxo: Figura de linguagem, é uma espécie de antítese, porém bem mais radical. Enquanto a antítese é uma mera aproximação de elementos opostos, o paradoxo funde-os, quebrando a lógica. Enquanto a antítese é caracterizada por mostrar palavras de sentidos opostos, o paradoxo poderia ser definido como o emprego de idéias numa oração ou período que se opõem pelo sentido. Exemplo...
"Começa o mundo enfim pela ignorânciaE tem qualquer dos bens por naturezaA firmeza somente na inconstância."
"Nos palácios reais se encurtam anosPorém tu sincopando os aposentosMais te deleitas, quando mais te estreitas."
Gregório de Matos Guerra
- Ironia: Ocorre-se quando se diz alguma coisa, querendo-se dizer exatamente o contrário. Por exemplo, o namorado se atrasa para o encontro e sua respectiva o diz: "Já chegou?! Tão cedo..."
Gregório de Matos utiliza MUITO a ironia, principalmente na sua poesia satírica, que não é incluída no estilo Barroco, por fugir em muito do tema-base da escola, o conflito espiritual, a contradição, a dualidade. (Ver Gregório de Matos - Satiricas)

Observação importante:
Cultismo e Conceptismo são dois aspectos do Barroco que não se separam; antes, superpõem-se como as duas faces de uma mesma moeda. Às vezes, o autor trabalha mais ao nível da palavra, da imagem; busca mais o argumento, o conceito. Nada impede que o mesmo texto tenha, simultaneamente, aspectos Cultistas e Conceptistas. Com os riscos inerentes às generalizações abusivas, diz-se, didaticamente, que o Cultismo é predominante na poesia e o Conceptismo, predominante na prosa. Mas como foi visto, muitos poemas de Gregório de Matos possuem o conceptismo muito marcante e até mesmo como aspecto principal.
Herança Barroca
Na Literatura pouco é efetivamente criado, cada estilo segue um padrão que já foi seguido repetidas vezes. Isso poderia ser exemplificado da seguinte forma: o Trovadorismo é o estilo medieval, cultivando valores teocêntricos, o Humanismo é a fase de transição e o Classicismo representa a quebra total com os valores medievais (Renascimento e Reforma). O Barroco surge num contexto de retomada dos valores medievais (Contra-Reforma), o Arcadismo faz a retomada dos valores Clássico-Renascentistas (Iluminismo) e assim por diante.
Notamos que os estilos vão se alternando entre racionalismo e irracionalismo, entre fé e materialismo, entre subjetividade e objetivismo, etc. O Barroco vem justamente para tentar uma fusão de todos esses valores, e por isso é um dos mais complexos estilos que podem ser estudados na Literatura Brasileira, já que leva à representação de um homem cheio de conflitos e instabilidades.
Na proporção de sua complexidade, está a sua importância. O estilo influenciou e vem influenciando autores de quase todas as épocas literárias que o sucederam, principalmente os autores do pós-movimento modernista. Vejamos alguns exemplos de textos que carregam a herança barroca:
Sentimento de que o mundo é instável e inseguro: O tempo é visto como destruidor, arrasador. A passagem do tempo traz a velhice e a morte. O homem, que nada pode fazer contra o tempo, se entrega à angústia, à dor. A vida passa depressa como um dia:
Dia,espelho de projeto não vividoe contudo viver era tão flamasna promessa dos deuses; e é tão ríspidoem meio aos oratórios já vaziosem que a alma barroca tenta confrontar-seMas só vislumbra o frio noutro frio.
Carlos Drummond de Andrade
O sentimento de que a realidade humana é absurda, sem solução, repleta de contrastes:
O amor não nos explica. E nada basta,nada é de natureza assim tão casta.
que não macule ou perca a sua essênciaao contato furioso da existência
Nem existir é mais que um exercíciode pesquisar da vida um vago indício
a provar a nós mesmos que, vivendo,estamos para doer, estamos doendo.
Carlos Drummond de Andrade
A expressão do grotesco, do chocante, do monstruoso: É o "feísmo", ou o "belo horrível" barroco.
O monumento não tem portaa entrada é uma rua antiga estreita e tortae no joelho uma criança sorridentefeia e morta estende a mão
Caetano Veloso - Tropicália
Não é mágoa descrente de outras luzestampouco a destra férrea do cansaço.Apenas não te enlevas, não te iludesÉs o rio de súbito estagnado
Deformas-te. Descerra o cílio cardosobre o teu sono o pânico em que ruges.Olho tens, não farol, pois cego e falhonem roteiro qualquer já repercutes.
Do Letes aprofundas-te no amnésico,em vão desfolhas teu colar feéricode esquivas contas, ninfas de outro fasto
Contra o mural verticaliza o corvoo prenúncio do limbo onde estás mortosob os grilhões de um deus forjado em asco.
Affonso Ávila
A angústia religiosa, ligada à mistura entre o sagrado e o profano:
Meu Deus, meus Deus, por que me abandonaste?se sabias que eu era fracose sabias que eu não era Deus?
Carlos Drummond de Andrade
A expressão do conflito, manifestado através da anteposição de imagens e sentimentos antagônicos:
Anjo de duas faces
Anjo de duas faces,o sol e as trevas, eis.E vós, Indecisão,serpente me venceis
Bigênito demônio solevando punhal, deuses escarnecendo, sois o Bem, sois o Mal?
Sorriso de mulherem pose de ivectiva,o choro da criançaNão morta, semiviva
Anjo de duas faces, duplo lago reflete - o olhar de uma condena, o olhar de outra promete.
Affonso Ávila
O rebuscamento, sutileza e complexidade das idéias:
os remédios do amor e o amor sem remédio são as quatro coisas e uma sóo primeiro remédio é o tempotudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acabaatreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera?são as afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito.
Affonso Ávila
É fácil notar que muitos dos exemplos da herança foram versos de C.D. de Andrade. De fato, este grande poeta contemporâneo tem a "alma barroca", isto é, sua sensibilidade combina com a do estilo barroco, e isso se manifesta em inúmeros poemas seus.
A poesia de Affonso Ávila, embora esteja ligada a tendências predominantemente concretistas (seus poemas buscam, em geral, uma interligação entre os aspectos temático, rítmico e visual), também carrega essa herança barroca. Tal herança parece ser incorporada e trabalhada de forma consciente pelo poeta, que denominou um de seus livros de Barrocolagens. Nesta obra, o autor realiza, de fato, colagens de textos de Vieira, Gregório de Matos e Gôngora, entre outros, misturados a versos de sua autoria, nos quais reproduz o estilo discursivo e a temática barroca.
Apesar de possuírem características barrocas, não se pode dizer que os textos de Drummond e Ávila são barrocos, pois eles se compõem, em sua predominância, de traços que caracterizam a literatura do nosso tempo. A técnica da colagem de Affonso Ávila, por exemplo, é tendência da arte moderna. Os poemas de Drummond, por sua vez, apresentam uma visão moderna do universo, ainda que os sentimentos do poeta se manifestem, muitas vezes, através de formas barrocas de expressão.
O que ocorre é que temas como o conflito, a morte, o grotesco, o absurdo da vida são eternos, sempre preocuparam e sempre preocuparão o ser humano. Por razões histórico-sociais, esses temas preocuparam especialmente o homem barroco. Pode ser que uma situação histórica semelhante volte a ocorrer em nosso século e, assim, um novo barroco literário torne a se manifestar.
Notas
1. Retirado e/ou adaptado de Prof. Fernando Teixeira de Andrade, Literatura I - Curso Objetivo. Páginas 1 a 4. Ed. Cered, São Paulo.
2. Retirado e/ou adaptado de William Roberto Cereja e Thereza Analia Cochar Magalhães, Literatura Brasileira. Páginas 34 a 37. Ed. Atual, São Paulo, 1995
3.Retirado e/ou adaptado de Prof. Ádino José Cardoso, Apostilas e Materiais de Aula. Colégio WR, 1996 a 1999.
4.Retirado e/ou adaptado de José de Nicola e Ulysses Infante, Gramática Contemporânea da Língua Portuguesa. Páginas 431 a 447. Ed. Scipione, São Paulo, 1995.

1 Comentários:

Blogger Lu disse...

Que legal Rosí, adorei seu blog. Os temas são muito interessantes. O barroco é um assunto que trabalho com o 1o. ano. Parabéns, pela iniciativa. Beijos

27 de outubro de 2010 14:53  

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