quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

BRASIL NA IDADE DO OURO



O aparelhamento inicial da mineração eram a bateia e o almocafre.Alguns mineradores mais ricos aperfeiçoaram os métodos de extração de ouro e conseguira, ainda o controle dos leitos dos rios, onde o ouro se depositava.




BRASIL NA IDADE DO OURO
Na época do descobrimento do Brasil, os portugueses tinham todo o interesse voltado para os presumíveis metais preciosos da nova colônia. E, enquanto essas riquezas sonhadas não brotavam da terra, a coroa decidiu a exploração agrícola do solo brasileiro. O plantio de cana e a produção de açúcar tomaram quase cem anos. Somente no fim do século XVI apareceram ouro, pratas e outros metais, em pequena quantidade, na capitania de São Vicente.
O rei de Portugal,ao tomar conhecimento do achado, decepcionou-se com a pobreza das minas e hesitou em tomar providências mais sérias para explorá-las. O equipamento necessário não era caro; constava de uma enxada pontuda –o almocafre – facilmente substituível por qualquer instrumento da lavoura, e de uma gamela de pau – a bateia - que servia para lavar a terra e separar os grãos do ouro. Esse equipamento, porém era muito rudimentar. Para viver exclusivamente à custa das riquezas minerais do Brasil, a metrópole precisava de instrumentos mais aperfeiçoados, de uma sólida organização de trabalho, de muitas pessoas e animais. Tudo isso pesaria enormemente no tesouro português. E o rei não desejava arriscá-lo para explorar minas de tão acanhado porte.
Só quando se descobriram maiores jazidas, ao sul de São Vicente, é que Portugal se animou a organizar uma exploração sistemática e bem aparelhada. Entre 1586 e 1604, uma verdadeira multidão de mineiros,fundidores,ferreiros e outros trabalhadores especializados aportaram no sul do Brasil, devidamente equipados para exercerem suas funções. Nessa época , as lavras de São Paulo,Parnaíba,Curitiba e Paranaguá desempenharam um papel preparatório para a grande idade do ouro no Brasil.

AS LAVRAS DE CUIABÁ.

Alguns trabalhadores do ouro se viam, de uma hora para a outra, donos de importantes jazidas. Foi o que aconteceu a um certo Miguel Sutil, modesto comerciante nas cercanias de pequenas lavras do Sertão do Mato Grosso. Enviou ele dois escravos em busca de mel e recebeu de volta pepitas de ouro, achadas ao acaso.
As lavras de Cuiabá formaram juntamente com outras próximas, o primeiro núcleo minerador de fama. Sua celebridade atravessou os limites do Brasil e chegou a Portugal,chamando atenção para a colônia. Pessoas de variadas classes e tipos afluíam as lavras de Miguel Sutil, pobres ricos e nobres e plebeus,negros, brancos,escravos e índios. A terra tornou-se campo de arrojadas aventuras, e nela a vida era um oficio altamente inseguro e perigoso. Raro era o dia que acabava sem um crime. A morte era um fato comum, e o modo mais banal de morrer era assassinado ou de fome, o roubo não causava espanto. Roubavam os negros, os brancos, os índios. Até os padres roubavam. A desordem chegou a tal ponto que só os viajantes munidos de passaporte podiam entrar em Cuiabá. Mas um passaporte não era difícil forjar. Não havia proibições nem decretos instransponíveis. Impostos, taxas e quintos eram sonegados a coroa. De todo modo se burlava o governo e suas determinações.



As igrejas construídas em Minas Gerais eram cuidadosamente decoradas. As magnificas talhas dos templos barrocos atestam a riqueza dessas construções(Sabará, Igreja de N. Sª da Conceição).


AS RIQUEZAS DAS GERAIS.
O trato de todo um século com metais preciosos. Foi escola para muitos homens,que se tornaram aptos a reconhecer os maiores tesouros, só descobertos na última década do século XVIII. Durante sete anos(1674 – 1681),Fernão Dias Pais, acompanhado de seu filho, Garcia Pais, do seu genro, Manuel da Borba Gato, e de dezenas de índios e negros,embrenhou-se pelos sertões da parte centro-sul do Brasil. Não descobriu as esmeraldas e pratas que buscava, mas abriu caminho para outras expedições e contribuiu para a formação dos primeiros arraiais mineiros.
A região fascinava os sonhadores do ouro. Em 1693, o paulista Antônio Rodrigues Arzão entrou pelos sertões das Gerais à procura de índios para escravizar, e descobriu ouro. Cinco anos depois,outro paulista, o Taubaté ano Antônio Dias de Oliveira. Descobriu o precioso metal em vila Rica , hoje Ouro Preto. As ricas jazidas imediatamente



atraíram para lá numerosas expedições. Ao saber das boas noticias,Portugal respirou aliviado e criou novo alento: suas finanças minguavam inexoravelmente, e o ouro brasileiro podia não só devolver à metrópole o passado esplendor, como ainda levá-la a um fausto maior. Mas o Brasil , como colônia ,continuou muito pobre até o século XVIII. As pessoas, estas sim, ficavam cada vez mais ricas. Segundo o historiador português Pinheiro Chagas, “a metrópole fazia quando podia, não para enriquecer e desenvolver a colônia, mas para sugar os recursos desse vasto território, tomando sempre a maior cautela em não deixá-la crescer em opulência e bem estar”.


GENTE PARA AS GERAIS

Na primeira fase do povoamento das Gerais, o governo português tentou, em vão, regular ou impedir as correntes de forasteiros que para lá rumavam à cata de riquezas. Entre eles estavam numerosos contrabandistas, inclusive padres, que causavam sérios prejuízos ao tesouro real. A metrópole temia tanto perder seus lucros, que procurou criar os maiores os maiores obstáculos a mineração nas regiões onde era difícil fiscalizá-la. Em 1738, um decreto do governador das Minas do Ouro determinava a prisão de todos os religiosos, que lá estivessem, sem emprego, ou sem licença. Mas esse decreto,como muitos outros, não foi cumprido. Ao contrário,contribuiu para a proliferação de irmandades e confrarias que, para justificar sua permanência na terra,alegavam estar incumbidas de catequese e de construção de igrejas.
Os 50 mil indivíduos que, segundo os cálculos, habitavam as Gerais em 1705, não se dedicavam apenas a mineração. O comércio era uma atividade excepcionalmente lucrativa , e muitos enriqueceram exercendo-a. outros, em compensação, caíram na miséria,perdendo o muito ou o pouco que tinham quando lá chegaram. Como num jogo de azar, nem sempre ganhava o mais capaz, e sim o mais afortunado.

O desenvolvimento das Gerais provocou desequilíbrio econômico nas regiões próximas. No Rio de Janeiro, plantações inteiras ficaram abandonadas, com a deserção de mais de mil homens que foram contribuir para o povoamento da zona do ouro. Com isso, o abastecimento da colônia ,já deficiente,tornou-se ainda mais precário.



As expedições que partiam em busca do ouro das Minas Gerais reuniam as mais diversas espécies de pessoas. Todos queriam tentar a sorte e ganhar fortunas.



O ÁRDUO TRABALHO
No início cavava-se o chão com o almocafre e lavava-se a terra nas bateias até separar os grãos de ouro. Com a descoberta de grandes riquezas auríferas, surgiu a necessidade de instalações mais complexas e mais caras. Fizerem-se escavações mais profundas, com galerias suportadas por fortes estruturas de madeira. Aos poucos, o trabalho foi exigindo mais braços. Compraram-se novos escravos, contrataram-se novos empregados. A posse de escravos era, alias, sinal de elevada posição social: quanto mais escravos tivesse,mais importante e poderoso era um senhor, pelo menos aparentemente. Na maioria das vezes a aparência era realidade, pois a grande escravaria assegurava, com maior trabalho, mais lucro, que assim permitia comprar mais escravos, aumentar os lucros, crescer perante a sociedade, mandar os filhos à corte estudar, tornar-se nobre e fidalgo.

Quando a exploração do ouro começou a exigir maior capital, muitos mineradores tiveram de abandonar sus misteres e, com eles, seus sonhos de fortuna. Só os que já eram ou tinham ficado ricos puderam continuar trabalhando na cata de ouro. A valorização das terras dependia de seu potencial aurífero. Estes esgotados, as terras eram abandonadas como inúteis. Quando seus exploradores se tornaram numerosos, não eram mais proprietários – a menos que comprassem a terra. Recebiam concessão para minerar até exaurir-se o veio. Ao ocorrer isso, podiam obter nova concessão para explorar outros locais.




A fiscalização das minas era feita por um guarda –mor e, às vezes, por um superintendente, com jurisdição civil e criminal. Em 1709, as minas ganharam um governador e capitão – geral: Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho. Foi criada a capitania independente de São Paulo e Minas Gerais do Ouro, com sede na então vila,e depois cidade de São Paulo (1711).

O PROBLEMA DO ALIMENTO.
Com a explosão populacional nas regiões do ouro, surgiu o problema do abastecimento, ligado a lavoura e ao transporte. O centro minerador, situado no interior do País, inicialmente o governo hesitou entre criar núcleos agrícolas nos sertões ou transportar gêneros alimentícios do litoral para as lavras. Acabou optando pela segunda alternativa. Organizou-se em Minas Gerais o comércio de muares, proveniente do sul , e que substituíram os antigos carregadores escravos – índios e negros. Assim, o litoral prosperou com o comércio de gêneros alimentícios e o sul com o comércio de animais de carga, que transportavam não só alimentos, mas também mercadoria de luxo ao gosto europeu, adquiridas pelas pessoas mais ricas.



A mineração no Brasil aos poucos transformou a organização da sociedade. Um simples funcionário público podia comprar escravos e enriquecer.


O CAMINHO DO OURO.

O conjunto de lavras que constituiu a capitania das Minas Gerais formou-se em três etapas sucessivas. Na primeira, surgiram as cidades de São João del – Rei, São José Del – Rei, Vila Rica e Mariana, Caeté,Sabará,Vila do Príncipe e arraial do Tejuco(nesta última foram descoberto diamantes). Na segunda etapa surgiram as lavras de Mato Grosso. Na terceira, o foco de irradiação foi a mineração praticada em Goiás.
As regiões auríferas mais exploradas eram Brumado,Gualacho do Norte, rio Pardo, rio das Mortes, que forneciam ouro em abundância para o Rio de Janeiro. A Portugal pagava-se o que era devido por lei (o quinto do ouro lavrado, além de outros tributos), mas a lei sempre era burlada de algum modo. Se não fosse, Portugal provavelmente não teria lugar para tanta riqueza. Em 1699 recebeu 725 quilos de ouro. Em 1785, 1785 quilos. Em 1703, 4350 quilos. Mas todo esse ouro não ficava nos cofres portugueses: a maior parte ia abastecer o tesouro britânico. Portugal, temeroso da ofensiva de outros paises mais fortes, que também cobiçavam sua dourada colônia, havia-se aliado à Inglaterra, que habilmente acabou por submetê-lo. Por meio de tratados e acordos alfandegários, Portugal se viu na dependência econômica dos ingleses e pagavam em ouro as dividas sobre os produtos manufaturados que importava.

O SÉCULO DO EXPLENDOR

Durante o século XVIII a febre do ouro tomou conta de todos. Não havia quem não se embrenhasse nos sertões à procura de fortuna. O Brasil conheceu então um esplendor que assombrava a própria Europa. A colônia, agora enriquecida,já não dependia tanto da metrópole. O monopólio comercial da coroa ia aos poucos dando lugar a uma participação de lucros.
Politicamente começava a correr o desejo de cortar os vínculos que prendiam o Brasil a Portugal. Nas Minas Gerais, centro do ouro, formou-se um inquietante núcleo de conspirações e revoltas contra a coroa.
Profunda modificações sociais se efetuaram. Na época da cana-de- açúcar havia praticamente só duas classes sociais: o senhor e o escravo. O ouro criou uma terceira intermediária , formada de pequenos mineradores, artesão, comerciantes,intelectuais e funcionários da administração. O trabalho escravo também se diferenciou: às vezes se fazia afastado do proprietário, as vezes sob suas vistas,às vezes até por conta própria.
A população brasileira, do século XVII ao XVIII,crescera dez vezes mais com multidões que provinham de toda parte da colônia e do exterior, e se concentravam sobretudo nas regiões auríferas. A abertura de uma ampla frente de povoamento promoveu o desenvolvimento das vias de comunicação por terra. As minas ficaram ligadas a São Paulo,



Rio de Janeiro, Goiás, Mato Grosso,Bahia e a zona da Bacia da Prata, de onde recebiam grande levas de muares. Em 1763, a sede política da colônia foi deslocada de Salvador para o Rio de Janeiro, a fim de controlar mais de perto as atividades na zona do ouro e usufruir prontamente seus benefícios.
Ao terminar o século XVIII, a febre do ouro havia passado. Os grandes veios não mais produziam como antes. Dessa época de glória ficaram faustosas igrejas e imponentes edifícios,atestado permanente das áureas grandezas do Brasil colônia.



Vila Rica, núcleo minerador dos mais famosos, foi centro de grande desenvolvimento. Ali se concentraram os intelectuais que no último decênio do século XVIII organizaram a Inconfidência.

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