quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Povos indígenas do Paraná

Povos indígenas do Paraná
Os povos indígenas do Paraná pertenciam a duas grandes áreas culturais: a da floresta tropical e a marginal. No primeiro grupo está a grande família tupi-guarani, com suas inúmeras tribos e no segundo a maior parte da família jê.
Segundo Curt Nimuendaju, as principais tribos das áreas culturais, estavam assim distribuídas em território paranaense:
Os tupis predominavam no litoral e a nordeste e oeste do estado. Foram estes índios os primeiros a entrarem em contato com os portugueses.
Dos gê destacaram-se caingangues e xoclengues (botocudos). Esta área cultural não chegou a ser bem estudada pelos etnógrafos do Paraná, o que deixa uma lacuna no estudo da pré-históriaparanaense. O estudo dos indígenas torna-se bastante complicado, devido às suas freqüentes correrias pelo sertão, o que leva muitas vezes dificuldades para a localização de uma tribo, e mesmo a confundir as tribos entre si.
Diferenças étnicas
Os portugueses em seus contatos com os nativos entendiam-se melhor com os tupis-guaranis do que com os jê. Deve isso ao fato de os tupi-guaranis serem mais adiantados do que os gês. As técnicas utilizadas pelos primeiros, na confecção de seus utensílios, eram muito mais adiantadas do que os dos jê. É verdade que as duas nações encontravam-se ainda na Idade da Pedra Polida, mas incontestavelmente os tupis eram os mais adiantados. Tinham sua subsistência assegurada pelo agricultura. Plantavam milho, mandioca, algodão e fumo. Não conheciam o arado, mas plantavam em covas, abertas no chão com paus pontudos. Suas roças duravam de 5 a 6 anos num determinado lugar, até esgotarem a caça ao redor, mudando-se para outras paragens mais propícias.
Sua alimentação era completada com os produtos de coleta, quais sejam: frutas, raízes, larvas, mel, erva-mate, jerivá, etc.
Os tupi-guaranis desenvolveram uma cerâmica bastante adiantada, confeccionando abundante quantidade de recipientes e vasilhas de barro cozido. Fabricavam ainda cestas e peças variadas, com fibras e taquaras. Utilizam-se do algodão nativo para fazerem fio, com o qual realizavam magníficos trabalhos de tecelagem, dos quais destacam-se a rede de embalar (eni) e tecidos bastante aperfeiçoados. Suas ocas (cabanas) eram feitas de estacas de madeira cobertas com folhas de palmeira e butiá.
Entretanto, uma das maiores conquistas dos tupis-guaranis foi o domínio da técnica da eliminação do ácido dihidrocianídrico, muito venenoso, existente na raíz da mandioca. A utilização de tal técnica possibilitou a fabricação de farta quantidade de farinha da mesma, facilitando enormemente a alimentação.
Divisão do trabalho
Na sociedade tribal do índio paranaense, um dos elementos que mais chamou a atenção do homem branco foi a divisão do trabalho entre o homem e a mulher.
Era a mulher quem realizava todo o trabalho doméstico. Preparava a comida, cuidava das crianças, confeccionava as peças de cerâmica, fazia a farinha de mandioca, trançava a rede e cuidava da plantação. O homem, por sua vez, dedicava-se a interesses da caça, da pesca, da derrubada do mato para as mulheres plantarem, da fabricação de armas, da construção das ocas e das pirogas; eram também os responsáveis pela segurança da tribo.
Contribuições do indígena
É imensa a influência que o paranaense recebeu do indígena, quer em sua atividade diária, ou em seus usos e costumes:
 influência étnica: os milhares de índios que habitavam o Paraná foram em sua maior parte eliminados definitivamente ou incorporados à sociedade, pela miscigenação.
 vocabulário: os termos de origem tupi-guarani ou gê no linguajar diário, são muitos, como por exemplo: Paraná, Curitiba, Paranapanema, Paranaguá, Iguaçu, Tibagi, Marumbi, canjica, butiá, vossoroca, guri, etc. Sua contribuição lingüística ocorre sobretudo nos nomes de acidentes geográficos, como rios, serras, picos, etc.
 alimentação: a farinha de mandioca é de uso muito difundido entre a população. A importância desta farinha para o índio era como a da farinha de trigo para o homem branco. A eliminação do ácido venenoso que a mandioca brava possui, proprorcionou uma grande fonte de alimento para os índios. Seu uso é hoje conhecido em todas as camadas sociais. Também o uso do mingau,canjica, paçoca, etc., tem origem entre os índios;
 o uso da eni (rede), hoje generalizado, os índios a usavam para dormir em suas ocas, porque não conheciam a cama;
 a erva-mate: foram os índios da família guarani que ensinaram ao homem branco a utilização dessa erva. Hoje seu uso é definitivo nas tradições sulinas, sob a forma de chá quente, gelado ou do tradicional chimarrão;
 o fumo: os europeus não conheciam o fumo. Vieram conhecê-lo na América. Os índios utilizavam-se desse vegetal, fumando cachimbos de barros. Hoje é usado universalmente sob a forma decigarro e charuto;
 o costume do banho diário e do cabelo de loção; são elementos aprendidos com os índios.
Sambaquis
No Paraná, um dos principais vestígios arqueológicos deixados pelos indígenas são os sambaquis, encontrados no litoral. São conchas, ostras, ossos de animais sobretudo marinhos e pedras, amontoados irregularmente, nos quais encontra-se farto e abundante material arqueológico.
Discutiu-se muito a respeito da origem desses sambaquis. Uns defendiam a tese da origem natural, segundo a qual as águas marinhas teriam acumulado este volumoso material. Hoje, é ponto pacífico sua origem artificial. Sambaquis seriam restos de cozinha indígena, acumulados em vários séculos.
Predominam, nestas jazidas arqueológicas, evidências de pedra, osso e cerâmica, trabalhados pela mão indígena. Estas amostras permitem formar uma idéia de como vivia o homem pré-histórico naregião. As peças indígenas ali encontradas que mais chamam a atenção são os zoolitos, figuras de pedra, reproduzindo geralmente aves, animais ou peixes, de uma escultura rudimentar.
Antigamente, as populações litorâneas denominavam os sambaquis de ostreiras. Estes não foram feitos por uma só tribo. Os grupos humanos que do planalto desciam para o litoral atraídos pela vida ligada ao mar, conseguiam expulsar por vezes grupos indígenas que ali se encontravam. Estabeleciam-se de preferência em mangues, onde se arranchavam. Deste ponto partiam para a procura e coleta de animais marinhos. Com seu consumo sustentavam-se durante o tempo que durasse sua estada no local. As carnes eram secadas ao sol e levadas posteriormente para a sede de suasaldeias. As conchas, carapaças e outras partes resistentes eram acumuladas em montões, ao lado do acampamento, chegando alguns deles a formar verdadeiras elevações. Desses sambaquis ou ostreiras é que foi retirada a matéria prima com a qual se fazia a cal para as edificações das vilas litorâneas.
Se acontecia que algum índio morresse durante o período de pescaria, era enterrado nestes montes e coberto com as conchas do sambaqui.
Com o recuo lento e progressivo do mar nos últimos milênios, muitos desses sambaquis ficaram a vários quilômetros da atual linha do litoral.
[editar]Chegada dos portugueses
Os primeiros índios paranaenses que entraram em contacto com os portugueses foram os carijós, que habitavam o litoral. Estes eram inimigos dos tupininquim, que habitavam o litoral de São Paulo. Por esse motivo, inicialmente combateram também os portugueses, que eram aliados dos tupiniquins. Este fato foi explorado contra os portugueses por [Ruy Moschéra espanhol que se estabeleceu ilegalmente em Iguape, em 1531.
A destruição da expedição que em 1531, com 80 homens, Martim Afonso de Sousa enviou para os sertões à procura de ouro, chefiada por Pero Lobo, seria obra de Ruy Moschéra.
Em 1562, alguns jesuítas, aproveitando a companhia de espanhóis que partiram a pé de São Vicente até o Prata, chegara ao território paranaense, com o objetivo de catequizá-los. Foram trucidados pelos carijós, pois foram considerados como espiões tios tupiniquins.
Entretanto, apesar destes revezes, os jesuítas da Casa da Missão de São Vicente continuavam enviando esporadicamente catequistas para os indígenas, não só carijós como os do planalto curitibano. Em 1545, o espanhol Álvar Núñez Cabeza de Vaca, que da ilha de Santa Catarina dirigiu-se até Assunção no Paraguai, encontrou, nas margens do rio Iguaçu, um índio já convertido pelos jesuítas portugueses. No início do século XVII, os padres jesuítas fundaram uma Casa de Missão em Cananeia, donde continuaram a enviar missionários para o sul.
Um dos jesuítas que mais se tornou conhecido pelo seu trabalho com os índios do Paraná foi o padre Leonardo Nunes, cognominado pelos carijó de araré-bebe (padre voador).
Em 1605, os padres João Lobato e Jerônimo Rodrigues trabalhavam entre os carijós. Em 1690, trabalhava com o gentio de Curitiba o padre Melchior de Pontes.
No século XVII, fundaram os jesuítas portugueses uma Casa de Missão em Superagui (litoral norte da baía de Paranaguá), donde passaram a partir catequistas até a região de Laguna. Os jesuítas conseguiram estabelecer-se em Paranaguá, porém alguns anos mais tarde (759), os padres da Companhia de Jesus foram expulsos dos territórios portugueses.
[editar]Carijós
Estes índios eram no início muito altivos e orgulhosos de sua liberdade. O trabalho dos jesuítas no seu meio predispôs os mesmos a entrarem em contacto com os portugueses. Domingos Peneda, vindo do Rio de Janeiro, foi o primeiro a conseguir levar alguns carijós até aquela cidade. As câmaras municipais de São Vicente e Santos protestaram por essa intromissão em suas terras e declararam guerra ao indígena carijó (1585), sob alegação de vingar insultos feitos aos portugueses. Na realidade, os portugueses do litoral paulista queriam mão-de-obra escrava para suas fazendas e os carijós pareciam ser a melhor solução.
Foram então aldeados muitos deles e levados para trabalharem na lavoura de São Paulo.
Com a descoberta do ouro no litoral paranaense, formaram-se Companhias de Índios das Minas. Os carijós foram explorados ao maximo na cata de ouro do litoral. Os outrora orgulhosos e valentes homens de arco (guerreiros) transformaram- se em índios administrados, isto é, praticamente escravos. Aprenderam a lavrar ouro na baía de Paranaguá e em consequência foram levados pelos paulistas até Goiás. Aí muitos deles fugiram das bandeiras e internaram-se nos sertões do Araguaia, vindo a formar a conhecida tribo dos canoeiros (habilidade adquirida na baía de Paranaguá).
Os carijós tiveram lugar de destaque nas guerras do Prata contra os espanhóis, desempenhando importante papel na anexação do Rio Grande do Sul ao Império Colonial Português.
Em São Paulo, devido ao grande número de índios oriundos do litoral paranaense, a palavra carijós passou a ser sinônimo de índio.
No início do século XVII, calculava-se em 200.000 os carijós que dominavam o território que ia do Superagui até Laguna em Santa Catarina.
Os remanescentes desta valorosa tribo incorporaram-se à população litorânea. Ainda hoje é possível detectar, na fisionomia do caiçara do litoral, traços fisionômicos dos carijós.

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