quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

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    Libras é cada vez mais necessário








Joyce Carvalho

Daniel Caron
Éden Veloso e Valdeci Maia Filho formularam o livro Aprenda libras com eficiência e rapidez.


O Brasil cada vez mais aposta em leis para garantir a inclusão de pessoas que não são reconhecidas plenamente pela sociedade. Uma destas leis fala sobre a obrigatoriedade de contratação, por parte das empresas, de um número de funcionários com algum tipo de deficiência (que talvez não deveriam ser classificados como deficientes, mas sim com pessoas com algum tipo de dificuldade), conforme a quantidade total de empregados. A outra exige que instituições públicas e empresas prestadoras de serviços públicos devem dispor de pelo menos 5% de funcionários capacitados para o uso e interpretação da Língua Brasileira de Sinais (Libras), utilizada por surdos.

As leis vieram para ajudar, mas causaram um efeito negativo. Aumentou muito a demanda por cursos e intérpretes de Libras. Só que não existem tantos profissionais habilitados no mercado. Além disto, há um movimento para migração dos estudantes surdos que estão em escolas especiais para o ensino regular. E isto também cria a necessidade por professores capacitados para lidar com os alunos ouvintes e surdos ao mesmo tempo. "O governo fez isto sem formar intérpretes. Tem falta do profissional. O maior problema do surdo está no ambiente de trabalho.

Existe uma enorme demanda nas organizações. A língua sempre será uma barreira, mas o foco deve estar em todos aprenderem", afirma Andréa Koppe, presidente da Universidade Livre para a Eficiência Humana (Unilehu).

A transferência de todos os alunos surdos para o ensino regular é visto com receio justamente pela falta de formação de profissionais. "O grande desafio da inclusão dos surdos é a mudança da situação linguística da escola, para um contexto bilingue", esclarece a professora Sueli Fernandes, do setor de Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), integrante do Núcleo de Apoio às Pessoas Especiais da instituição e voluntária da Federação Nacional dos Surdos. De acordo com ela, o desafio seria duplo: formar os professores e tornar a Libras a segunda língua dos demais. Uma das saídas é incluir a Libras nas disciplinas escolares. Mas a situação esbarra na falta de professores. "E não é todo mundo que sabe uma língua que tem condições de dar aula. O grande desafio é formar professores bilingues", conta. Os intérpretes podem ajudar na função pedagógica, mas não substituem os professores. A inclusão da Libras na grade curricular dos cursos superiores está engatinhando. No entanto, já há exemplos desta aplicação. Esta é uma determinação do Ministério da Educação (MEC). Os outros alunos poderão conversar normalmente com os estudantes surdos. E ainda terão a capacidade de se comunicar com qualquer surdo, em qualquer situação.

Expressão surdo-mudo é usada de forma incorreta

A ideia não é deixar que a Libras seja ensinada somente nos cursos relacionadas aos cursos de Pedagogia e Letras. Na Universidade Positivo, em Curitiba, a língua de sinais está presente como disciplina no curso de Medicina. "A nossa previsão é de ampliação para outros cursos", comenta o Larry Ribeiro Pinto, especialista em Libras e integrante do Centro de Inclusão da universidade.

Daniel Caron
Livros e DVDs são usados na aprendizagem da Língua Brasileira de Sinais.

Uma outra maneira de aprender o suficiente para se comunicar em Libras é ler livros e assistir a DVDs que ensinam os sinais corretos. Isto se torna possível com a publicação Aprenda libras com eficiência e rapidez, do projeto Mãos Sinais. O livro, formulado pelos surdos Éden Veloso e Valdeci Maia Filho, pode ser encontrado nas Livrarias Curitiba.

Veloso ainda dá aulas para ouvintes em empresas e instituições, como a Universidade Positivo. "Quando eu começo a falar, as pessoas acham que eu sou estrangeiro por causa do sotaque. Quando falo que sou surdo, elas mudam o comportamento na hora", conta o professor. Até ele conseguir falar, não foi fácil. Mas isto trouxe independência e a possibilidade de Veloso se tornar professor. Ele inclusive largou a faculdade de Informática para se dedicar à nova função.

De acordo com Veloso, o surdo tem capacidade para tudo. Basta estabelecer a comunicação, explicar tudo direitinho e ensinar. O livro dele tem seções de informações técnicas e de esclarecimentos, nas quais o leitor aprende que a expressão surdo-mudo é incorreta, por exemplo. Os surdos podem aprender a falar se estimulados para isto com a ajuda de um fonoaudiólogo. (JC)

Libras pode ser aprendida em cursos

Tanto surdos quanto ouvintes têm como aprender Libras em cursos básicos, com média de 40 horas/aula. Não tem como concluir o curso e já se tornar intérprete ao contrário do que muita gente pensa , mas será possível estabelecer a comunicação. Assim como em outras línguas, como o inglês, por exemplo, a qualidade da comunicação em Libras vai depender da fluência.

Segundo Bruno Branco, gerente de marketing do Iesde (Inteligência Educacional e Sistemas de Ensino), os ouvintes ajudarão a inclusão dos surdos na sociedade a partir do momento que aprendam a Libras. Para os surdos, a linguagem oficial de sinais é o primeiro passo para a comunicação com o mundo. Além disto, abre-se a possibilidade de se tornar bilingue, ou seja, aprender o português. Isto vai facilitar no dia a dia, como no envio de e-mails, por exemplo. O Iesde está oferecendo cursos básicos e depois a etapa de letramento para surdos. O Centro de Inclusão Universidade Positivo também oferta cursos básicos de Libras. Informações no (41) 3317-3442. (JC)


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